Não deixe a autocrítica te paralisar
Reflexões práticas para manejar a autocrítica
Isabela S. de Oliveira
10/21/20253 min read
Você costuma se sentir culpada e envergonhada?
Depois de achar que seu desempenho não foi suficiente, acaba focando apenas naquele deslize, naquela habilidade que ainda não domina?
E, no meio disso tudo, esquece de reconhecer todas as vezes em que teve sucesso, e de valorizar seus pontos fortes?
Se você se identificou, talvez precise conhecer melhor o conceito de autocrítica.
O que é a autocrítica
A autocrítica é um processo de autoavaliação — e ela pode ter dois lados:
Positiva: quando é justa e ajuda a melhorar.
Negativa: quando paralisa e causa sofrimento.
Na medida certa, a autocrítica nos ajuda a reconhecer erros e limitações, levando a níveis adequados de desempenho e satisfação pessoal.
A culpa, por exemplo, pode funcionar como um termômetro das nossas ações: nos ajuda a refletir sobre o que consideramos certo ou errado. Se você sente que agiu de forma inadequada, esse sentimento pode servir como um incentivo para se responsabilizar e fazer diferente.
Quando ela se torna prejudicial
Às vezes, enxergar nossas limitações é necessário. Mas, se a autocrítica for exagerada, em vez de motivar, ela pode paralisar.
Pesquisas mostram que quanto maior o perfeccionismo, maior a tendência à autocrítica. Esses dois aspectos andam de mãos dadas.
Alguns autores concluem que a autocrítica é o fator central que mantém o perfeccionismo, porque pessoas insatisfeitas consigo mesmas tendem a impor metas cada vez mais altas, acreditando que, quando as atingirem, finalmente se sentirão bem.
Mas você pode imaginar o resultado de criar expectativas que ignoram a realidade e os limites pessoais: mais frustração e mais autocrítica, que muitas vezes beira a crueldade.
Um exemplo claro disso é a pressão estética. O padrão de beleza imposto às mulheres é cada vez mais inatingível. Se você não se encaixa nesse ideal estreito do que é considerado “belo”, é natural que surja a insatisfação com a própria aparência. Essa discrepância entre o que se exige e o que se consegue ser alimenta sentimentos de inadequação e vergonha.
Como manejar a autocrítica
A autocrítica pode nos impulsionar a mudar, mas também pode nos paralisar.
Por isso, o segredo não é tentar silenciar essa voz — e sim aprender a conversar com ela.
Aqui estão algumas reflexões práticas para começar:
Não espere controlar totalmente essa voz. Converse com gentileza com você mesma. Valorize sua vivência e lembre-se: outras pessoas também passam por isso.
Inspire-se em pessoas reais. As experiências são plurais; busque referências que te tragam conforto e acolhimento.
Reflita: sua crítica é justa ou exagerada? Se for a segunda opção, pergunte-se: eu seria tão dura com uma amiga querida? Comece a se tratar como gostaria que falassem com você.
Reconheça seus esforços diários, por menores que sejam. Cada uma de nós faz o que pode com o que tem.
Busque apoio terapêutico, se sentir necessidade. Um olhar profissional pode te ajudar a transformar a autocrítica em aliada do seu crescimento.
Por fim, transforme a autocrítica em aliada
A autocrítica não precisa ser inimiga, ela pode se tornar uma bússola, desde que usada com gentileza.
Você não é definida pelos seus erros, mas pela disposição em seguir aprendendo.
Quando a autocrítica surgir, tente ouvi-la com curiosidade, não com certeza.
É assim que ela deixa de paralisar,e passa a impulsionar.
Nota: Este texto tem finalidade informativa e reflexiva, e reflete a opinião da autora, baseada em evidências científicas.
Ele não substitui acompanhamento psicológico ou médico.
Se você estiver passando por um momento difícil, considere buscar apoio profissional.
CRP: (05)71474
Referências:
GILBERT, P.; CLARKE, M.; HEMPEL, S.; MILES, J. N. V.; IRONS, C. Criticizing and reassuring oneself: An exploration of forms, styles and reasons in female students. British Journal of Clinical Psychology, v. 43, p. 31–50, 2004.
Khossousi V, Greene D, Shafran R, Callaghan T, Dickinson S, and Egan SJ (2024). The relationship between perfectionism and self-esteem in adults: a systematic review and meta-analysis. Behavioural and Cognitive Psychotherapy 52, 646–665. https://doi.org/10.1017/S1352465824000249


